Dakota @ 16:49

Ter, 23/03/10

Aqui, na ACTIVA ...

 

Transcrevo os comentários de um M. (3, no total -- o rapaz deu-lhe ... e bem, digo eu).

 

Jovem, Solteiro e Rico é mais feliz? A sério? Nããããã...... 1/3

Bem, agora até parece que passo a vida nisto, mas não resisti. Sempre que me “picam” o espírito perco a compostura e derramo as minhas aleivosias sobre mais insuspeitas vítimas e este artigo vem no seguimento de uma profunda conversa tida numa cave de um Bar da nossa praça sobre o Fado Lusitano (não a música, mas o que aos poucos se está a transformar numa nova doença – a Neurose Lusitana), depois de uns “valentes canecos na ” 6ª à noite.

M, 21.03.2010

 

Jovem, Solteiro e Rico é mais feliz? A sério? Nããããã......2/3

Agora que tirámos isto do caminho, vamos lá ao que me trouxe aqui. Se eu fosse rico, já que o resto se verifica, também era feliz, pudera...Aliás, seria tão feliz que mudaria o meu nome para Coelho Norita e conduziria o meu Porsche 911 ou Jaguar descapotável, vestindo um Tutu amarelo e com umas belas socas holandesas nos pés em direcção à minha cabana em Tróia todos os fins-de-semana. O “guito”, esse produto escasso, ao contrário do que se diz, traz a felicidade (podemos comprá-la, alugá-la, pintá-la na nossa cor favorita). A história do “Amor e uma Cabana” já lá vai, pelo menos se a cabana não tiver um bruto LCD, um Ar-condicionado que ajusta temperatura da casa à nossa temperatura corporal do momento. Um frigorífico tamanho XXL (apenas com umas garrafas de champagne e um daqueles queijos, com um nome que ninguém consegue pronúnciar sem apanhar uma cãmibra na língua), com televisão e ligação à internet (para quê é que e ainda não entendi, mas como rico, teria de ter –“tá a ver”). Sem esquecer o sofá de massagem, a BTT de 5000€ (como as dos campeões mundiais que vivem do uso de uma ferramenta tão cara), a B&O toda prá-frentex, com funções que ninguém jamais irá utilizar, etc. Os políticos aborrecem-me, o país deprime-me? Epa, em vez de ir de férias para a Caparica ou Algarve, ia para Bora Bora com as “minhas” loiras, colecção Primavera/Verão, penduradas no braço a adorarem-me pelo meu “€harme, €érebro e S€x Appeal”. Rezando para caírem uns quinhentinhos para aquelas mamocas novas ou a novíssima rinoplastia para arrebitar só a potinha. Hum, guito, muito guito e “liberdade”. Até fico “excitado” só de pensar...Fazer o que me apetecer sem ter de dar cavaco a ninguém. Já viram o risco que era ter uma Maria que me poderia, por pirraça (ou por causa do “Benfica”) moer o juízo ou impedir de ir porque a Susaninha vai dar a tal festinha lá em casa? Ter o poder e a liberdade de ir a Las Vegas e soltar o “galaró” até este se tornar numa franga maluca e sem pensar nas consequências. Não!!! Rico e solteiro...hummm. O “Poder de poder fazer”. Assim eu também seria feliz e muito, afinal também sou, acima de tudo, um produto de tudo o que me formou. Mas, infelizmente, não sou rico. Só não entendo uma coisa, não sou rico, sou jovem e sou solteiro, mas não sou infeliz, muito pelo contrário. Porquê? Não sei. Acho que relativizei tudo o que me rodeia ao longo dos tempos. Faço o que posso para ser feliz, mesmo que tenha de poupar para isso. Aqui caí fora das estatísticas.....ó porra.

M, 21.03.2010

 

Jovem, Solteiro e Rico é mais feliz? A sério? Nããããã......3/3

Agora, como a coisa resvalou para o geral em comentários anteriores vou apanhar a “boleia”.... Penso que o principal problema desta “Mui Nobre Nação Lusitana” é terem desistido, deixaram de lutar por si próprios. Perderam o que chamaria de “espírito quinhentista” e o sentido de humor. São cinzentos e acomodados. Surgem pequenas dificuldades e lá vêm as carpideiras e os velhos do Restelo aos gritos a chinelar calçada abaixo. Ainda bem que por cá a tristeza e o luto não se expressa como no Médio Oriente, porque senão teríam de andar todos nús, já que a roupa tinha sido toda rasgada. Se se perguntar a 10 portugueses que têm objectivos ou projectos (sim, porque nem todos os têm), raros serão os que estão relacionados com a feliciade e a realização pessoal (não material). São quase todos ligados com a estabilidade da imagem transmitida. Casa própria, carro próprio, ser CEO, para ser tratado por Sr. Dr . Medem a sua feliciade pela posse, o “volume do ser” para os outros, para provocar a inveja deles e pelo ter, não pelo existir e pelo ser. Que mal há em ter uma casa arrendada? O dinheiro que sobra da renda pode ir para uma bela viagem, um curso de pintura, aprender música ou um desporto radical, etc. Tenho de ter uma bruta bomba na garagem? Porquê? Um carro “normal” não chega? O que sobra até pode ir para a “tal” Biblioteca de livros ou DVDs, para ir a restaurantes exóticos ou para um fds num local idílico. Imaginem poupar para uma viagem à volta do Mundo. Eu sei, eu sei, poupa-se e trabalha-se para os filhos. Mas reparem, se os pais fizerem o seu trabalho bem feito e se tiveram muita sorte (que não depende do quanto conseguirem amealhar ao longo da vida), os filhos, quando os pais estiverem a “fazer tijolo” já não precisarão disso, serão autónomos. O que é preferível? Um filho pensar nos pais porque lhe deixaram uma casa, que ele vai vender para “torrar” o dinheiro ou porque ficaram com uma data de recordações, de experiências de coisas que fizeram ou da viagem a Tóquio, ao Grand Canyon ou Bora Bora, que eles passarão a outros? Um pergunta: Será que ao não se focarem tanto e em absoluto em algo (casa, carro, etc) não irão encontrar aquilo com que sonham? A tal “felicidade”. Ando pelas ruas e é raro ver alguém sorrir, só vejo pessoas com a “cara enfiada no chão” e de ar cinzento, taciturno.

M, 21.03.2010



pensar nisso. nisso é tudo e nada.
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